É a Internet, estúpido!
26/novembro/2008 10:27
Por Marcelo Coutinho*
Em 1992 Bill Clinton venceu Bush (pai) em uma eleição ficou marcada por um bordão de James Carville, então marqueteiro do candidato democrata: “é a economia, estúpido”. Segundo ele, a frase sintetizava a principal motivação do eleitor para a mudança, depois de 12 anos de governo do partido Republicano.
Claro que é forçar a barra dizer que a Web foi a responsável pela vitória de Obama. Mas a forma como ela foi utilizada nesta eleição mostra o entendimento de uma importante mudança geracional nos EUA e, em pouco tempo, no mundo. O novo presidente não é apenas símbolo, mas também filho desta transformação: nascido em 1961, Obama simplesmente não teve que explicar o que estava fazendo nos momentos mais polêmicos da história americana recente: a guerra do Vietnã e a aprovação do aborto pela Suprema Corte em 1973. Estes fatos que marcaram todas as eleições naquele país desde o final dos anos 60. Mas ele era uma criança quando tudo isso aconteceu, o que reforçou sua mensagem de “mudança”.
A verdadeira história sobre a campanha de Obama não é sobre os milhões obtidos em pequenas contribuições pela Internet. Dos cerca de U$ 750,7 milhões arrecadados pelo democrata, estima-se que cerca de U$ 300 milhões vieram de pequenas doações na Web. Embora diversas matérias na mídia tradicional mencionem que este número pode estar inflado por grandes doadores “disfarçados”, mesmo que ele tenha conseguido metade disso via pequenos doadores na rede, ainda assim é um resultado impressionante.
Mas este resultado não “compraria” possivelmente nem um décimo do tempo de trabalho que seus simpatizantes dedicaram a campanha pela rede, seja enviando emails para amigos e conhecidos, seja imprimindo listas de eleitores registrados na sua rua, organizando reuniões em suas casas ou conseguindo números de telefones para ligar para os indecisos na reta final da campanha, obtidos através do site www.mybarackobama.com (este vídeo explica as ferramentas do site).
O novo presidente compreendeu muito cedo que a Web oferecia uma forma rápida e barata de organizar interesses difusos dos que estavam insatisfeitos com o governo de Bush júnior. Já em 2006, ainda senador por Ohio, seus assessores estavam em contatos com figuras conhecidas do Vale do Silício, buscando entender melhor como as novas tecnologias poderiam ser usadas para organizar movimentos comunitários de base (“grassroots” no jargão político americano). Vale lembrar que o então senador desenvolveu toda sua carreira política com base na organização destes movimentos.
As tecnologias sociais da Web já haviam sido usadas na eleição anterior, em 2004, por Howard Dean, que apesar de perder a indicação democrata para John Kerry conseguiu sair da obscuridade para o estrelato político graças ao uso da rede. Mas naquele momento muitas das tecnologias colaborativas como blogs e sites de redes sociais estavam na sua infância. O YouTube, então, nem existia. Essa evolução explica o fato de que em 2008 33% dos eleitores americanos apontaram a Web como uma de suas principais fontes de informação, contra 10% em 2004, de acordo com o Pew Internet and American Life Project, que desde 1996 acompanha o uso da rede nas eleições americanas.
Ainda em 2007, quando o YouTube e a CNN organizaram os primeiros debates online entre os candidatos democratas, a campanha já oferecia diversas ferramentas de contato, inclusive via telefones celulares, além de “profiles” no MySpace e Facebook. Neste último, Obama contabilizou 3,1 milhões de “amigos” (McCain ficou com 609 mil).
Mas a diferença fundamental da campanha de Obama em relação a outras iniciativas eleitorais que já tinham alcançado algum sucesso na Internet foi a de que ele construiu uma estrutura de comando centralizado com execução descentralizada. Ou seja, ao invés de simplesmente marcar presença nas redes sociais, nos blogs ou no YouTube, aproveitando estes espaços para remeter o internauta para o site “oficial” da campanha, a equipe digital de Obama (com cerca de 30 integrantes “full-time”, segundo fontes extra-oficiais) colocou estas tecnologias no centro do seu esforço de comunicação e organização, ajudada por um dos fundadores do Facebook, Chris Hughes. Essa “organização” de movimentos sociais e políticos por natureza caóticos, extremamente difíceis de gerenciar de forma tradicional (cabos eleitorais, comitês, distribuição de “benesses” de natureza variada, etc) foi a grande sacada da campanha, reforçando o apelo da possibilidade de mudanças serem realizadas pelas “pessoas comuns” (“Yes we can”).
O uso das tecnologias sociais da Web 2.0 vai transformar a maneira como as campanhas são feitas e a maneira como são cobertas pela mídia. O presidente eleito dá uma clara demonstração deste entendimento, ao anunciar no último dia 17 que irá fazer seus discursos através do canal ChangeDotGov, no YouTube (o primeiro discurso, sobre a reunião do G20, já está lá, com 760 mil visualizações em 24 horas…)
É importante notar que não se trata de substituir uma mídia pela outra, mas sim de estratégias que utilizam um mecanismo de “eco” no qual ações em uma mídia ou rede social se reforçam mutuamente, estratégia já utilizada por Joseph Goebbels na Alemanha Nazista (com outros meios e fins, obviamente). O próprio Obama comprou 30 minutos de tempo nas principais redes comerciais americanas na reta final da campanha, no que se tornou possivelmente o mais caro comercial político do mundo.
A campanha de Obama é apenas a ponta de um iceberg que vai transformar processos de informação política (e não apenas eleitoral) em todo o mundo. Um bom exemplo é a história de uma universitária americana que este ano gastou 50 dólares em comerciais no Facebook e foi eleita para o cargo “tesoureira” da sua cidade. É claro que ainda estamos distantes desta realidade no Brasil, onde apenas 25% dos eleitores possui acesso. Estudos com base na experiência americana e européia mostram que de maneira geral a rede precisa atingir cerca de 50% dos eleitores para influenciar de forma significativa o resultado final de uma eleição. Não vamos atingir este número em 2010. Mas o poder da rede se fará sentir através de blogs, sites de comunidades e sites de compartilhamento de vídeo. Quem digitar, e votar, verá…
* Marcelo Coutinho é diretor do IBOPE Inteligência e professor do curso de mestrado em comunicação da Fundação Cásper Líbero
10 Comentários para “É a Internet, estúpido!”
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O Blog jornalistas do PIG, gostaria influênciar para não votar todo mundo, nunca mais, nunca mesmo, os safados: vereadores, deputados, senadores e presidente, se não mudar essa câmara vereadores, câmara Federal, estadual, e o senado. Essa democracía é falsa, o País é um circo, nós são idiotas, igual esse otário deputado que falou o povo é ralé. Eu e meus filhos não vou votar nuca mais a até mudar essa coisa. Estou com raiva, porque esse País é maravilhoso mas esses demônios não gostam do País, só gostam do bolso dêles, 90% as pessoas estão sem dinheiro, os 10% são ricos são os políticos, castelo, pagou com meu dinheiro a piranha do deputado, passagem para todos as famílias para viajar, etc, etc….
Vamos encher os blogs do jornalistas do PIG com:
Eu não voto em Serra para presidente.
No Brasil é diferente. Aqui nos EUA o povo americano sabe usar a república democrática, do povo, para o povo e pelo povo, que foi muito bem inventada, aperfeiçoada e reinventada aqui.
Agora no Brasil, o problema é psicológico. Todo brasileiro gosta de ser diferente, de ter opinião diferente, de se vestir de cor diferente. Então a Internet não muda isso. Enquanto aqui nos EUA, nós nos vestimos de chinelo e roupa de dormir e vamos comer um burrito feito pelo chicano na chapa suja, os brasileiros se endividam todos para ir comer uma grama de peixe do Troigos… É aquela visão de fracassado intelectual europeu, que mostra porque os EUA sofrem o baque, caem, mas sempre se levantam, enquanto os europeus não conseguiram nem ficar uma década na liderança econômica do mundo e já estão com o pires na mão.
Tem que mudar a mentalidade do povo, para que o Brasil possa realmente dar o salto de qualidade. O Brasil tem que funcionar como uma nação, assim como os EUA funcionam, e não cada fracassado querendo ser diferente do fracassado vizinho… Por isso que “executivos” de empresas brasileiras, como aquele fracassado do Agnelli, que conseguiu levar a Vale do Rio Doce a falência, mesmo ela detendo o monopólio da exploração mineral no Brasil, são motivos de piada aqui nos EUA, e por isso que a palavra “brazilian” nos EUA e sinônimo de um imbecil metido a saber tudo mas que não sabe nada.
Isso a Internet não vai mudar, infelizmente.
No Brasil é preciso ainda democratizar o acesso à internet. O preço é alto para a renda dos brasileiros e a qualidade é péssima. Falta concorrência. Aqui em São Paulo, dominado pela espanhola Telefônica, outro dia fiquei mais de duas horas tentando contratar o serviço para minha casa. O atendimento é terceirizado. O pessoal coitado é despreparado, pois é um tipo de emprego de alta rotatividade, por conta dos baixos salários. O sistema não funciona direito. Com muita paciência passei todos os dados pedidos, ao final ela me passou para a auditoria. Ao começar a falar com o funcionário da
Telefônica, a linha caiu (isso mesmo, uma empresa de telefonia que a própria linha cai) liguei de novo para o call center, e depois de colocar todos aqueles números pedidos, consegui falar de novo com a atendente. Expliquei o que aconteceu e pedi para que ela me passasse de novo para finalizar o meu pedido e pasmem, a linha caiu de novo. Desisti e estou estudando uma forma de fugir da Telefôncia. Os tucanos dizem que isso é o primeiro mundo. Talvez eles não saibam que em Londres por um décimo do que se paga em São Paulo, consegue-se um serviço com qualidade superior ao oferecido em São Paulo. É que lá a madame Tatcher colocou concorrência e não criou monopólios privados como aqui. É preciso acabar com esses monopólios para haver acesso á rede. É ISSO.
Campanha anti-Serra desde já!! Nós, que somos mais politizados e temos acesso à informações não divulgadas pelo PIG, devemos conscientizar o máximo número de pessoas para não votarem no tucano sem escrúpulos!!Ainda tenho esperança, assim como muitos, de ver o Brasil menos sujo!! PHA para presidente!! Protógenes para Ministro da Defesa!! De Sanctis para presidente do STF!!
A internet poderá ajudar muito nesse sentido, porém a tecnologia poderá ser usada para pender para o outro lado também: vide o caso das urnas eletrônicas fraudadas no Maranhão e que agora começam a pipocar casos novos em todo o Brasil como vem mostrando a rede Bandeirantes em seus telejornais nos últimos dias. Lembremos também que um dos primeiros a dar um grito sobre a fraude nessas urnas eletrônicas foi o grande Leonel Brizola, que passou a ser ridicularizado pelo “PIG” por isso. E agora? O Sr. Aires Brito (presidente do TSE) gosta de dar palpite em tudo, só não quis gravar entrevista sobre o assunto que é de sua jurisdição. Será porque???
Ribeirão Preto-SP
seria DIVINO acontecer isso no Brasil,dar informação a população.Fico imaginado quando a maior parte do POVO BRASILEIRO vai ter esse tipo de acesso e notar q nem tudo q vêem hj é “real”,onde faz de td pra uns ( PIG E CIA ) e desmeressem outros,mesmo esses outros fazendo coisas BOAS para o PAÍS.
ESPERO ESTAR VIVO PRA VER ISSO ACONTECER.
Realmente, a internet é o quinto poder. Ainda caótico, ainda sem conhecer sua própria força.
É a internet que vai extinguir a velha e carcomida mídia golpista.
O advento dos blogs e dos sites de relacionamento (tipo orkut) foi um enorme salto. O Youtube outro. O próximo salto será a popularização dos canais de rádio e de video exclusivos pela net (stream), que não dependem de concessão publica, e estão ficando cada vez mais baratos de construir. Daí a importância de ampliar o acesso à banda larga, que é a ferramenta ideal para web-rádio e web-TV.
Por enquanto, 25% da população tem acesso à net. Mas a televisão começou com muito menos do que isso.
Vamos derrotar José Serra da mesma forma
Estou torcendo! Quem sabe possamos diminuir (já que acabar acho impossível), a má influência do PIG e “Institutos de Fabricação de bons resultados eleitoras”; sempre a favor da direita.